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A Difícil Arte de Liderar nos Tempos Atuais
Estamos caminhando a passos largos para um desenvolvimento sustentado, nunca o país gerou tantas oportunidades de negócio. A base de toda esta velocidade com que as coisas estão acontecendo se chama tecnologia. Nunca em toda história da humanidade o homem se desenvolveu tanto e tão rápido. Tudo isto em nome da melhoria da qualidade de vida das pessoas, do desenvolvimento das nações e de suas organizações. O mundo ficou sem barreiras e falar, negociar, comprar e gerar parcerias com outros países, independente da distancia que os separa ficou tão fácil quanto fazer a mesma coisa com as organizações locais.
Mas tudo isso tem gerado novas demandas e uma grande necessidade de novos aprendizados. Acompanhar esta evolução tão rápida e irreversível tem gerado um sofrimento muito grande àqueles que precisam e dependem deste aprendizado para continuarem o processo de perpetuação de seus negócios e/ou fazer parte dele como profissionais. Nunca se falou tanto em estresse quanto agora. O tempo parece estar diminuindo em função da demanda de serviços a serem feitos. As pessoas queixam de que suas cargas de trabalho estão no limite e que não lhes sobram tempo para recarregarem suas baterias. Tudo está sendo renovado em um tempo cada vez menor. Você se lembra, por exemplo: em 1996 quando se falava em celular entendíamos que este objeto era algo de luxo possível a poucos. Quatorze anos depois a pergunta que se faz é: quem ainda não possui um celular? Fotos, filmagens, musicas, e-mails, mensagens, enfim, tudo num aparelhinho que cada dia se transforma mais rápido, torna-se mais ágil e num tamanho cada vez menor. 

E as organizações, o que será que estão fazendo com todas estas demandas? Nós sabemos que uma verdadeira revolução esta se manifestando dentro delas. E não tenho dúvida que a sobrevivência estará na resposta que cada uma delas dará aos fatos e dados que se apresentam diante deste cenário mundial chamado mercado globalizado. Formação de grandes grupos, concorrência, economia de escala, agilidade no atendimento aos clientes, preços competitivos, fornecedores capazes de responder as suas demandas de estoque cada vez menores (Just-in-time), logística ágil, equipe capaz e bem treinada e gestores diferenciados serão necessariamente os aspectos críticos de sucesso das empresas.

Uma constatação feita pelo grupo Bridge em sua pesquisa com 1500 líderes de médias e grandes empresas e publicada na revista você S/A, mostra uma situação preocupante e um cenário bastante desafiador para as organizações. Apenas 11,54% dos entrevistados têm de seis a oito habilidades consideradas necessárias para enfrentarem a demanda atual de trabalho que um líder exerce. Entre as que mais faltaram foram: flexibilidade para lidar com situações novas, equilíbrio para enfrentar pressões e visão mais ampla para tomar decisões. Segundo Celso Braga um dos responsáveis pela pesquisa, “o gerente no Brasil ainda tem um perfil muito técnico (...) e isso faz com que as empresas demorem a responder as mudanças de mercado e ele próprio (líder) comece a ser questionado por seus subordinados”. E é aqui que está o grande gargalo da maioria das organizações, ou seja: em função das tecnologias existentes e da facilidade na operação das mesmas, o perfil dos líderes migrarão rapidamente para uma demanda maior de tempo na gestão de pessoas e de processos. Aquele líder cujo potencial se caracterizava pelo conhecimento técnico está perdendo espaço rapidamente para um novo perfil, o de gestor de pessoas e processos. Habilidades como comunicação, atitudes proativas, interpretação de cenários, agilidade em dar respostas, competência para estabelecer relações de autoridade com foco nos resultados, manutenção do moral e motivação das equipes estão entre outras fazendo a diferença quando se pensa em contratar profissionais que se habilitam a lideres. 

Mas o que faremos com nossos gestores atuais? Demiti-los seria a solução? A resposta é não. Pelo menos a princípio não. Uma boa prática seria adotar uma estratégia de ação focada numa perspectiva de curto, médio e longo prazo. Onde estamos? Onde queremos chegar daqui a cinco anos? Quais são nossos valores? Quais são nossas forças e fraquezas?  Quais são os cenários atuais e quais são nossas projeções (pessimistas, realistas e otimistas), entre outras. Definido este cenário é hora de estabelecer um planejamento para empresa e uma tarefa essencial é desenvolver um programa de capacitação para as equipes considerando o potencial de cada um e dando ênfase nas carências de gestão inerentes a pessoa/cargo ocupado. Não devemos excluir do processo pessoas que deram muita contribuição para organização. Em se tratando de gestão de pessoas é bom lembrarmos que: “há o grupo de pessoas que carregam os valores da empresa e têm alta performance – essas devem ser valorizadas. Pessoas que possuem bons valores, mas não têm boa performance – essas merecem uma nova chance e precisam ser treinadas. Pessoas que não seguem os valores da empresa, nem apresentam atuação desejada – não devem permanecer nas equipes. Pessoas sem valores ou performance – essas são as mais perigosas e devem ser desligadas  da empresa o mais rápido possível”. 

Há um grande caminho a ser percorrido. O tecnicismo ainda perdura na gestão de nossas organizações. É bom lembrar que elas se valeram dele por muitos anos com resultados satisfatórios. Porém os resultados de ontem não garantem o sucesso de hoje e nem do futuro. Quebrar este paradigma ainda é uma necessidade e aqueles que já vislumbraram isto estão trabalhando duro para transformar esta perspectiva em realidade. Frente a esta necessidade muitos já estão se organizando e provendo recursos para saírem na frente. O que me preocupa é que ainda há uma enorme quantidade de organizações que não compreenderam o poder e a força desta mudança e temo que este grupo de empresas esteja deixando passar uma necessidade, para então ter que mergulhar numa desenfreada urgência de qualificação profissional. O caminho está aberto. Dar os passos, porém é inerente a quem já definiu o horizonte e traçou a sua rota. 

Ramon Marra
Psicopedagogo
ramonmarra@hotmail.com
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